Tristeza. Dor. Silêncio.

20 milhões de itens foram transformados em cinzas junto com o prédio do Museu Histórico Nacional. Um espaço deteriorado há anos, com deficiências inúmeras, sucateado e desconsiderado. Ainda assim, um espaço de encantamento, que respirava história e ciência, que enchia o peito de orgulho pela beleza e pela resistência presentes em cada cantinho do palácio onde um dia morou o Imperador do Brasil.

O passado visitado por um acervo que contava a história do Brasil desde seu início até os momentos significativos da Independência; passado escrito nas coleções arqueológicas que contavam a história dos primórdios de nossas terras e da humanidade. O presente materializado pelo conhecimento produzido por pesquisadores e pesquisadoras que ali trabalhavam. Presente orgulhoso que se expunha aos olhares encantados de todas as idades, na contramão do descaso que teimava em fazer acabar aquilo que na pesquisa encontrava vida.

No espaço de uma noite de domingo, tudo se perdeu. No amanhecer, buscam-se os culpados. A água que foi pouca, os governos que fizeram pouco… tudo foi pouco, foi insuficiente. Até quando nos contentaremos com o pouco?

Pouco se compreende sobre os museus. Pouco se vê para além de um espaço arrumado para uma exposição. Pouco se fala sobre as salas fechadas onde se produz conhecimento, se produz ciência, se descobre, a cada dia, um pedaço da história de um país, da humanidade, da vida em si. Pouco se consegue ler além das descrições das peças expostas ou do caminho pensado para uma exposição. Acostumamos o olhar ao encantamento apenas. Mas, há mais, muito mais…

Acostumamo-nos à pouca educação e à pouca cultura. Há tanto a ser feito na economia, na saúde, na segurança, na infraestrutura, que a educação e a cultura ficam sempre na espera, no reboque. Até quando?

Museu é passado, é presente e é também futuro.

No Museu Histórico Nacional, que funcionava na Quinta da Boa Vista do Rio de Janeiro, mantido a duras penas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, estavam algumas das pesquisas mais importantes da Arqueologia, da Paleontologia, da Biologia e da História brasileiras. Pesquisas científicas de ponta, que colocavam o país em discussões internacionais. Mas discussões científicas internacionais rendem o quê? Votos? Reeleições?

O Museu Histórico Nacional se foi. E se foi como um alerta para o futuro. Um país que descuida de seu patrimônio, que solapa orçamentos de educação, ciência e cultura, que entende museus como “depósitos de acervos”, que não é capaz de se rever a cada tragédia anunciada que se torna realidade, que tipo de futuro quer oferecer? Definitivamente nosso país não se pensa como um todo e por isso vive assim: apagando incêndios.

O Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio e a Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio se solidarizam com todos os pesquisadores e funcionários do Museu Histórico Nacional. Neste cenário de desesperança, a única saída é (re)unir forças e resistir.

 

1 Comentário

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  1. Maria Lourdes Gomes Caseira Alvim 1 ano atrás

    Muito sofrido!

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