O Prêmio Memorial Astrid Lindgren, que vale £445.000, foi para Wolf Erlbruch, um ilustrador alemão cujos livros abordam assuntos pesados, incluindo a morte

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Tornando as questões existenciais geríveis … uma ilustração de Duck, Death e a Tulip de Wolf Erlbruch.

O ilustrador alemão Wolf Erlbruch ganhou o maior prêmio em dinheiro do mundo por literatura infantil, o Prêmio Memorial Astrid Lindgren, que honra a obra completa de um autor ou instituição.

Erlbruch, que já foi indicado ao prêmio diversas vezes, é uma figura muito respeitada na literatura infantil da Alemanha; seus livros frequentemente abordam temas difíceis e sombrios na infância. Ele foi um dos 226 candidatos de 60 países à recompensa, que vai para a obra de “maior qualidade artística” que tenha os “valores humanísticos” da falecida autora de Pippi Meiaslongas. O júri o chamou de “um visionário bondoso e cuidadoso” que “torna as questões existenciais da vida acessíveis e solucionáveis para leitores de todas as idades”.

Boel Westin, presidente do júri, diz: “Ele está expandindo os limites do que os livros infantis podem ser… Ele dá uma nova perspectiva tanto às artes dos livros ilustrados, quanto aos assuntos que podem ser abordados em um livro para crianças. Ele é um ilustrador muito honesto”.  E acrescenta:

Assim como Astrid Lindgren, Wolf tem a capacidade de falar sobre os aspectos difíceis da vida, como a morte e afins, com delicadeza e sem ser excessivamente sensível. Ele não está preocupado com o que se pode fazer, ele simplesmente o faz. Eu acho que isso é algo que tem em comum com Lindgren”.

Ilustração de Hammer Verlag

Nascido em 1948, Erlbruch começou a trabalhar com livros infantis quando um editor viu uns leões que havia desenhado para uma propaganda. Em 1985, seu primeiro livro – as ilustrações para A Águia Que Não Queria Voar de James Aggrey – foi publicado; desde então, já escreveu 10 livros e ilustrou outros 50 de outros autores.

Erlbruch, que combina técnicas diferentes – colagens, lápis, desenhos de giz e aquarelas – é famoso principalmente por suas ilustrações no livro “Da Pequena Toupeira Que Queria Saber Quem Tinha Feito Cocô Na Cabeça Dela”, de 1994, que conta a história de uma toupeira que descobre que outro animal defecou em sua cabeça. A toupeira usa óculos redondos semelhantes àqueles do próprio Erlbruch. Alguns de seus livros contêm referências autobiográficas, como “Leonardo”, que conta a história de um menino que vira um cachorro, inspirado pelo medo de cachorros que seu filho sentia na infância. Seu filho Leonard, hoje, é ilustrador também.

 

 

Wolf Erbuch

A morte é um tema recorrente nos livros de Erlbruch. Seu livro O Pato, A Morte e a Tulipa, publicado em 2008, é sobre um pato que é perseguido pela Morte, com quem começa uma amizade complicada e torna a relação estranha com perguntas. Em uma resenha para o The Guardian, Meg Rosoff – que recebeu o prêmio Astrid Lindgren no ano passado – chamou o livro de “extraordinário”, dizendo que “Erlbruch passa a impressão de que é um artista incapaz de ter sentimentos, mas seus desenhos são tão delicados e têm um humor tão doce que nos ajuda com a imensidão do assunto”.

Na cerimônia de anúncio dos vencedores, realizada na Biblioteca Nacional de Estocolmo, o júri passou o áudio da ligação que informou a Erlbruch que receberia o prêmio. “Ah, nossa, ah, nossa,” ele disse, quando lhe contaram com quem estava falando, e deu um risinho quando falaram do prêmio. “Estou sem palavras, desculpe”.

Ele disse que havia tido um bom pressentimento mais cedo naquele dia: “Saí para caminhar e um jovem de bicicleta passou por mim e olhou de volta para trás enquanto subia uma ladeira. Ele me disse: ‘Obrigado por seus livros infantis’. Foi estranho, foi um bom sinal”.

Westin disse que espera que o feito de Erlbruch encoraje editoras de língua inglesa a traduzirem seus livros. “Eu realmente espero que o façam. Vale muito a pena,” disse ela. “Mais crianças deveriam ter mais acesso aos livros dele”.

O Prêmio Memorial Astrid Lindgren foi criado em 2002 pelo governo sueco, e já foi entregue para Shaun Tan, Maurice Sendak e Philip Pullman e nossa Lygia Bojunga! Erlbruch vai receber o prêmio no dia 29 de maio em Estocolmo.

 

Fonte: Theguardian
Tradução: Beatriz Nicolsky