Tzvetan Todorov, filósofo e linguista búlgaro,morre em Paris aos 77 anos

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O filósofo Tzvetan Todorov, em sua casa em Paris/ERIC HADJ

Não se deve subestimar o alcance de um livro como A Literatura em Perigo, assim como não se deve entendê-lo como triste confissão ou carta de arrependimento. Se Os Sertões alcançou sucesso inaudito sem parecer sê-lo e, justo, para aqueles que se criticava, o novo-velho Todorov, conseguiu conscientizar e abraçar aqueles que nele reconheciam a possibilidade de reconciliação com uma metade humana perdida pelos excessos analíticos: a metade inteira literária. Não raro vi professores se emocionarem em suas aulas a citá-lo, imprimindo uma interna revolução visível e com efeitos imediatos em suas didáticas. Hoje, perde-se um dos símbolos dessa recuperação ou dessa superação das dicotomias insossas que nos dividem em partidos da alma e da objetividade. O crítico-filósofo búlgaro deixa-nos as inteiras saudade e memória: do analista e sistemático preciso e das lucidez e sensibilidade, mais que inconsúteis, necessárias.

Erico Braga – Coordenador da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio